terça-feira, 8 de setembro de 2009

Uma cidade de amores parada no tempo e no espaço...

As suas ladeiras estão repletas de histórias, revoltas e sofrimentos, mas também muitos amores. Ouro Preto é uma mistura de sentimentos que fizeram parte não só de importantes eventos históricos para o nosso país, como também de amores possíveis e impossíveis que circularam pelas ladeiras escorregadias da cidade. Amo visitar Ouro Preto. Para mim o clima de lá parece parado no tempo. A neblina que cobre a cidade, deixando-a mais fria do que a capital mineira, faz com que sejamos convidados ao aconchego de um bom vinho e uma boa comida nos tantos restaurantes e pousadas que a cidade nos oferece.
Andar de mãos dadas naquelas ladeiras íngremes é um jeito perfeito de namorar: andamos mais devagar para não nos cansarmos, e temos assim tempo para observarmos a paisagem e curtirmos mais a companhia.
A poesia é algo que sempre me vem em mente quando estou nesta cidade. Acho que sou condicionada pelo fato de os inconfidentes terem sido também importantes expoentes da poesia parnasiana brasileira. Tomás Antônio Gonzaga, de todos eles, é meu preferido. O cancioneiro Marília de Dirceu concretiza nas palavras um amor que na verdade foi impossível por conta de diferenças sociais e da inconfidência mineira.
Tenho sempre em mente que a poesia de Gonzaga, Alvarenga Peixoto, Bárbara Heliodora e tantos outros que por ali passaram, é o ingrediente que ameniza todo o sofrimento escravocrata gerado pela corrida do ouro que a cidade abrigou na época em que era ainda conhecida como Vila Rica, a capital de Minas Gerais.
Sempre que vamos a Ouro Preto, Cesar e eu ficamos em uma pousada chamada Sinhá Olímpia, na entrada da cidade. Conhecemos lá quando fomos passar uns dias de férias no início de 2006. A pousada é pequena, mas de extremo bom-gosto na decoração. Para mim é a mistura perfeita entre o velho e o novo, pois contamos com todos os confortos de um local construído atualmente, com uma decoração colonial, cheia de móveis antigos que nos remetem ao passado. Na diária estão inclusos café da manhã e chá da tarde, recheados de delícias típicas mineiras.
Da primeira vez que ficamos lá, curtimos mais a cidade. Passeamos bastante pelos museus, igrejas, feirinhas e lojinhas. No entanto, da última vez que estivemos em Ouro Preto, em junho deste ano, estávamos correndo, pois Cesar se apresentaria em um congresso. Sendo assim, nosso tempo estava contado. Por um lado foi ruim, porque passear pelas ruas de Ouro Preto é sempre um excelente programa para se fazer a dois, ainda mais no friozinho do início de junho... No entanto, por outro lado, num frio daqueles, ficar na Sinhá Olímpia na companhia de um bom cobertor de orelha, um excelente vinho e um irrepreensível serviço de quarto era igualmente tentador. Sendo assim, ligamos para o serviço de quarto, pedimos petiscos e duas taças emprestadas, pois o vinho nós tínhamos. Comemoramos o sucesso de Cesar no congresso, o nosso aniversário de casamento que estava por chegar, e, de quebra, nos protegemos do frio cortante que estava do lado de fora.
O barroco nos remete ao excesso, ao rebuscado. A religiosidade paira no ar da cidade assim como a busca pela perfeição nos versos parnasianos. Das igrejas mais altas da cidade enxergamos a vastidão das montanhas que cercam a antiga Vila Rica. O cheiro de coisa antiga, as lembranças impregnadas nos muros das construções, as escorregadias ladeiras de pedra sabão, o soar dos sinos das igrejas... Tudo nos remete a um passado poético, cheio de revoltas e amores, e é ai que vive o romantismo da cidade. A lembrança histórica somada às estórias verdadeiras, poetizadas ou lendárias que circulam pela cidade, fazem de lá um dos melhores destinos para casais apaixonados que pretendem fazer um programa romântico. Não deixem de visitar essa cidade de amores que parou no tempo para nos inspirar!

Serviço:
Pousada Sinhá Olímpia
Rua Dom Helvécio 180 - Cabeças
CEP 35400-000 | Ouro Preto - Minas Gerais - Brasil
Tel.: (0xx31) 3551.6369
Site: www.sinhaolimpia.com.br
E-mail: pousada@sinhaolimpia.com.br

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Praias são lugares românticos? Para mim sempre foram e sempre serão...

Eu tenho várias estórias de praia para contar com fundo romântico. A começar pelo meu primeiro beijo, quanto eu tinha 14 para 15 anos de idade. Lembro-me até hoje... eu estava caminhando na praia de noite com um rapazinho que eu tinha conhecido no balneário onde eu estava. A gente estava conversando, quando de repente ele me beijou. Foi uma ação bem decidida e eu não tive (e nem queria àquele ponto) como escapar.
Foi romance de verão, depois daquele veraneio nunca mais tive notícias dele e nem ele minhas (acredito eu). Não acho ruim hoje, tenho essa lembrança romântica da caminhada na praia, de noitinha, que ficou bem marcada em minha cabeça. E de mais a mais, daquele ano em diante eu me divertia horrores em todas as viagens. Todo ano eu tinha uma paixão de veraneio para depois me lembrar delas durante o ano... Se eu parar aqui para contar estórias...
Realmente as praias sempre me incentivaram o romance. Lembro que fora os namoricos, eu adorava ir à praia de noite com os amigos. À medida que fui ficando mais velha, passei a curtir bem os meus veraneios. Curtia a praia, ia com os amigos e primos nadar de madrugada, tomava chuva, via a lua, enchia a cara... Era tão gostoso sentar na areia e ficar olhando a lua cheia no mar!
Sabe Deus como e por que, em um dado momento da minha vida adulta, minha pele começou a criar uma intolerância com a água do mar. Sempre que eu entrava na água, quando saía, se não tivesse uma chuveirada de água doce, minha pele empolava toda. Até hoje isso acontece. Na maioria das vezes eu resisto ao banho de mar, mas às vezes não dá...
Um dos casos foi quando Cesar e eu fomos para Maragogi, em outubro passado. Maragogi é uma cidadezinha que fica no meio entre Recife e Maceió. Ela está em Alagoas, mas a distância dela para as duas capitais é a mesma. Pois bem: se um dia vocês forem lá, não podem deixar de mergulhar no passeio das galés. Olha, eu não me lembro antes de ter tido uma situação em que Cesar e eu estivemos na água do mar juntos daquele jeito. Para fazer o passeio, a gente tem que sair de manhãzinha e pegar o barco. Chegando lá no local de mergulho, a gente recebe as instruções sobre como devemos respirar debaixo d’água e tudo mais. Então eles dão pra gente pedacinhos de pão para alimentarmos os peixes. Nossa, fazia tempo que eu não namorava o Cesar daquele jeito. Não pensem em bobeira, hem!! Ninguém perdeu a roupa de banho ali! Mas a paisagem debaixo d’água é muito linda, é impossível não se sentir inspirado pela natureza...
Obviamente depois de mais de uma hora debaixo d’água salgada, eu tive que lidar com minha alergia. Mas valeu a pena. Tinham copinhos de água mineral suficientes no barco até que eu chegasse ao hotel e me lavasse com água doce.
Agora estou me lembrando aqui de outra situação muito romântica, ironicamente ligada a alergia (dessa vez foi algo alimentar). Passei parte da minha lua de mel em um lugar paradisíaco chamado Jericoacoara. Já falei aqui do pôr-do-sol de lá. Então, estávamos em um hotel super aconchegante. Tínhamos ido naquele dia comer lagostas e camarões – como de praxe: pelo amor de Deus, se vocês forem ao Ceará comam essas iguarias até cair!!! É delicioso e o preço lá é honesto!
Mais tarde, de madrugada, eu acordei toda coçando – talvez eu tenha exagerado a dose dessas iguarias que amo! Cesar acordou também e constatou que eu estava tendo uma reação alérgica. Não tem hospitais em Jeri, então a solução era tomar a minha medicação para alergia, relaxar a cabeça e esperar o efeito.
Quem já teve ataques de alergia sabe o tanto que aquilo incomoda. Então saímos do quarto e fomos dar uma caminhada pelo hotel para nos esquecermos do que estava acontecendo. É aqui que estranhamente o lado romântico começou. Primeiro nos sentamos no salão de jogos, que fica ao ar livre, para jogarmos Damas. Olha, devo dizer: foi extremamente divertido, porque estávamos ali na calada da noite, o hotel todo dormindo, todas as luzes apagadas, somente nós dois ali. Em pouco tempo eu já tinha me esquecido da alergia. Só que meu senso competitivo já não estava muito bom, sempre fui uma negação pra jogos de lógica, então fomos caminhar.
A praia ficava logo ali atrás, pois o hotel tinha um acesso próprio a ela. Chegamos até ali, olhamos aquele marzão iluminado pela lua, contemplamos aquilo por um tempo, e voltamos para o quarto, sem alergias e inspirados pela vista. Ai, ai... que saudades de um marzão que bateu agora...
E até a próxima!

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Sapore D'Italia

Essa última sexta-feira foi meu aniversário, e no sábado foi o de meu marido e da minha irmã. Parece até piada, não é? Um fazer aniversário um dia depois do outro com cinco anos de diferença no caso de meu marido e dois anos de diferença no caso de minha irmã... Coincidências da vida.
Na sexta-feira fomos a um barzinho perto de casa, receber amigos e familiares, tomar biritas e jogar conversa fora. No sábado, como era também o aniversário de minha irmã, fomos para o sítio da família, onde aconteceu uma festança só... Agora Cesar e eu queríamos comemorar nosso dia em grande estilo. Inicialmente tínhamos pensado em sair no próprio sábado, depois da festança no sítio. Só que estava muito frio, e voltamos muito cansados para casa. Então decidimos que nossa comemoração particular seria no domingo, com mais tranqüilidade.
Ele me deu de presente de aniversário um Brunello di Montalcino, safra 2004. Já fazia um tempo que eu estava doida para tomar esse vinho. Se tivéssemos saído no sábado, provavelmente pagaríamos taxa de rolha por ele no restaurante que fossemos porque esse é vinho de comemoração em grande estilo. Mas saímos no domingo, na hora do almoço, então preferimos guardar nosso Brunello para outra ocasião.
Fizemos uma reserva para o almoço no Sapore D’Italia e levamos um vinho delicioso que tínhamos aqui em casa: um Jacob’s Creek australiano com um corte Shiraz com Cabernet Sauvignon de 2003. Numa das noites nossas de curtição aqui em casa a gente já tinha bebido esse mesmo vinho, mas da safra de 2004. Honestamente: esse um ano de diferença contou a favor do da safra de 2003, porque o cheiro do vinho estava uma loucura!
Comemos maravilhosamente bem: de entrada, alcachofras em um molho de pomodori pellati deliciosas, seguidas de camarões médios com legumes Al dente: De comer de joelhos. Para o prato principal, eu desta vez fui de massa: um tagliatelli com um molho a base de picanha desfiada que estava simplesmente divino. Cesar acabou indo de filé do chefe, que não tem como resistir realmente, super saboroso, acompanhado de molho de champignons... Como foi nosso aniversário, Biel (segundo ele somente eu e a mãe dele o chamamos assim, rs) nos ofereceu a sobremesa por conta da casa, e ainda nos brindou no final com um delicioso vinho do porto.
Como sempre fomos muito bem recebidos pelo Biel. Ele sentou-se à mesa conosco, conversamos sobre o clima, o restaurante, a comida, os aniversários, o Brunello di Montalcino... A família dele estava no restaurante, então ele nos convidou para nos sentarmos junto deles, conversamos mais um pouco sobre o blog, as jabuticabas que estavam caindo da árvore de tão maduras na entrada do salão do restaurante (e que devo confessar: estavam muito saborosas). Então ele montou seu órgão, tocou suas composições repentistas, conversamos mais um pouco, conhecemos mais membros de sua família e então nos rendemos ao horário: tivemos que abandonar a festa. Mas antes de irmos embora ele não permitiu que saíssemos de lá sem uma sacola cheia de jabuticabas. Estou aqui agora escrevendo e chupando as jabuticabas que Biel nos deu... Eu sei que já disse uma vez, no dia dos namorados, mas tenho que reiterar agora: o Sapore D’Italia tem um quê de Sapore D’Amore, não tem jeito: sempre que vamos lá é uma sensação diferente, sendo assim, será sempre um dos meus lugares românticos favoritos de Belo Horizonte, e tenho dito!

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Orientalismo Romântico

Sempre que vou à São Paulo com meu marido a gente tem uma parada obrigatória: ir à Khan El Khalili, uma casa de chá egípcia que fica em Vila Mariana, pertinho da estação Ana Rosa.
O frisson começou na época que eu dançava dança do ventre. A Khan El Khalili é uma referência nacional de qualidade nesta modalidade. No entanto, depois que parei de dançar continuei indo lá, só que agora com o coração menos ávido por dança e mais interessado em romance.
A última vez que estive lá foi quando renovei meu visto para ir aos Estados Unidos. Aproveitamos e tiramos uns dias lá em Sampa pra curtir. A casa é dividida em várias salas, super aconchegantes. Você pode escolher se quer se sentar no chão, em almofadas e ser servido em mesinhas baixinhas, ou se você prefere sentar-se em cadeiras normais mesmo. A decoração de lá é linda e a comida de extrema qualidade.
Os shows de dança começam em horários específicos e em cada uma das salas a bailarina dança de improviso uma música diferente. Para comer escolhemos entre o ritual oriental ou a opção de queijos e vinho. Ambas são extremamente bem servidas, quando a gente acha que vai parar de chegar delícias a gente se surpreende com o garçom nos oferecendo mais coisas.
O clima aconchegante de lá, honestamente, convida sempre ao vinho. Da última vez que fomos lá decidimos não nos sentarmos no chão porque eu estava de saia e é sempre mais difícil de levantar. Ficamos num salão sentadinhos lado a lado curtindo o nosso vinhozinho e assistindo às belas apresentações de dança. Decidimos que não tínhamos pressa pra ir embora, então fomos ficando, bebendo com calma, comendo com calma, até que todos os shows que iriam acontecer na nossa sala acabaram. Foi quando a garçonete chegou pra gente e perguntou se a gente gostaria de ir a uma outra sala para assistirmos ao show de lá também.
Decidimos que queríamos mesmo curtir a noite, a gente já estava bebendo vinho a doidado, ai resolvemos ir para a outra sala ver a dança. Não me lembro qual foi a bailarina, mas lembro-me da música que ela dançou: Inta Omri.
Para quem não sabe, quando me casei eu ainda era dançarina e professora de dança. Então logo depois da cerimônia do casamento, eu me troquei e dancei essa música para o meu marido. Por que Inta Omri? Porque essa música é uma das declarações de amor mais lindas que já vi. Ela é uma música clássica árabe de uma cantora lendária chamada Om Kalthoum e o significado de Inta Omri é “você é minha vida”. Não me lembro desde quando, mas há muito tempo essa era a música favorita do Cesar e minha, e eu nunca a havia dançado antes.
Pois bem, lá estávamos nós, na Khan El Khalili. Mudamos de sala e fomos assistir às bailarinas novamente, com outras músicas, e eis que surge a odalisca de roupas claras dançando Inta Omri, exatamente na mesma versão que eu dancei no meu casamento. Aquilo foi a cereja do bolo para a nossa noite romântica. Meus olhos se encheram d’água enquanto ela dançava e meu marido segurava a minha mão como quem se lembrava daquele momento em nosso casamento em que ele ficou sem palavras enquanto eu deslizava pelo palco com o véu esvoaçante de seda pura.
Hoje não mais danço, mas acho que a sensibilidade da artista que sempre fui estará sempre aflorada em mim. Essa é a sensibilidade necessária para se viver a vida com leveza, e principalmente, essa é a criatividade para transformar os nossos dias, tardes e noites em momentos deliciosamente românticos, sempre.
Provem um dia, estando em Sampa, uma noite oriental na Khan El Khalili e depois me digam se é romântico ou não!
Até a próxima!

P.S. A bailarina da foto sou eu, no dia do meu casamento... o dia mais romântico da minha vida!

Khan El Khalili:
R. Dr. José de Queirós Aranha, 320 - Vila Mariana
Fone: 11 5575-6647
aberta de 3ª a Domingo - das 14h até meia-noite
6as. e Sábados - das 14h às 1:00h
danças a partir das 19h
http://www.khanelkhalili.com.br/frame.htm

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Footing dos tempos modernos...


A cidade grande, ao mesmo tempo em que possui inúmeras opções para os apaixonados, também limita os lugares românticos que podemos freqüentar com tranqüilidade. Não que eles não existam. O problema é que as desigualdades sociais, junto às falhas políticas de segurança pública, não permitem que estejamos tranqüilos ao trocar juras de amor em um coreto no meio de uma praça pública de madrugada. Tudo isso pode ser perigoso.
Lembro-me de minha avó contando do footing na Avenida Afonso Pena. Uma caminhada na qual as moças trajavam suas melhores roupas e os rapazes, bem aprumados, procuravam as mais belas moças pelas quais poderiam se apaixonar. Esses eram tempos de amor inocente. Não era perigoso andar pelas ruas, e muitas vezes elas eram os lugares mais românticos que uma cidade poderia ter.
Hoje nossos lugares românticos estão nos cinemas dos shoppings, nos restaurantes aconchegantes, nas pousadas que freqüentamos, mas e os espaços públicos? Temos lindas praças românticas em Belo Horizonte. A Praça da Liberdade, cheia de flores, a Praça do Papa e a sua vista maravilhosa da cidade no momento do pôr-do-sol... A Praça Raul Soares, que foi inclusive reformada recentemente... No entanto, esses locais não são tão mais seguros quanto o eram antigamente.
É engraçado eu ser saudosista de algo que nunca tive. Quando comecei minhas incursões em busca de lugares românticos eu já estava na geração shopping Center e cinema multiplex. No entanto, ultimamente devo confessar que tenho experimentado algo do tipo no meu bairro, o Buritis.
Todas as quintas-feiras existe um projeto organizado pela associação do bairro chamado Quinta na Praça. Trata-se de uma feirinha com barraquinhas de artesanato e comida que funciona às quintas-feiras pela noite na pracinha Aroldo Tenuta. A primeira vez que fui lá, segui o faro do acarajé. Quitute baiano que amo. Cesar não costuma me acompanhar nisso porque o quitute é uma bomba calórica à base de bolinho de feijão, frito no azeite de dendê, recheado com camarões fritos, vatapá, caruru, tomates verdes e pimenta.
Cesar e eu depois de irmos lá algumas vezes percebemos que aquele ali era o nosso namoro de mãos dadas à pé semanal. Geralmente às quintas-feiras pegamos a nossa cachorrinha e descemos a pé para a feirinha. Não quero afirmar veementemente que o Buritis está livre da criminalidade e que se pode andar calmos e tranqüilos de madrugada pelas ruas... Mas no caso do caminho para a feirinha, a rua é toda movimentada, cheia de crianças, adultos e outros cachorros, o comércio está aberto nas imediações, então nos sentimos mais tranqüilos...
Ao observar a tônica da feirinha, eu acabei percebendo que ali, naquele ambiente tão familiar, poderia haver espaço para o romantismo. A música ao vivo é de qualidade. Cesar e eu descemos para a feirinha de mãos dadas, conversando sobre o dia, namorando, segurando a cachorra... Eu compro o meu acarajé. Cesar, quando decide abusar, compra um pastel frito de queijo. Sentamos então na praça, nos degraus do anfiteatro para saborearmos as delícias e nos curtirmos enquanto contamos o que fizemos durante o dia. A caminhada de volta é tranqüila. Andamos de vagar, para que possamos aproveitar os mínimos detalhes do passeio. Ao chegarmos ao prédio, deixamos a cachorrinha correr livre pela garagem. Nós dois nos sentamos na bancada de ardósia do jardim e terminamos a noite assim, olhando nossa cachorrinha se divertir, e pensando o quanto somos privilegiados por podermos nos dar ao luxo de irmos à feirinha na esquina de casa, nas noites de quinta-feira...

domingo, 26 de julho de 2009

Um pedacinho porteño em Belo Horizonte

Quando estive na Argentina uma das coisas mais gostosas que comi foram as carnes, as “media lunas con manteca” e as empanadas: quitutes típicos das terras porteñas feitos a partir de uma massa simples com recheios deliciosos. Muito parecido com pasteis assados, mas ao mesmo tempo diferentes por causa da textura da massa.
Pois bem, tais quitutes podiam ser comidos por lá em qualquer lugar deliciosamente decorado à meia luz ao som de tango. Confesso que senti falta quando voltei pra Belo Horizonte, porque o aconchego de tais lugares, mais a boa companhia e os irrepreensíveis vinhos que bebemos por lá, eram a combinação perfeita para o início de uma noite romântica.
No entanto essa saudade não durou muito tempo! Aqui em Belo Horizonte desde o final de 2005 podemos contar com um ambiente deliciosamente porteño chamado Pizza Sur. Conheci a casa em 2006 na unidade Liberdade, na Rua da Bahia, que foi inaugurada nesse mesmo ano. Lá a decoração é retrô, bem anos 1950 e 1960. O ambiente é aconchegante e remete o tempo todo à Argentina, com fotos e cartazes de personalidades como Gardel e Maradona. O gostoso da unidade Liberdade é que boa parte das mesas ficam para o lado de fora do restaurante, em uma espécie de varandinha que nos deixa ver tudo o movimento próximo à Praça da Liberdade. É interessante também essa localização porque como bem sabemos, a Rua da Bahia é conhecida aqui em Belo Horizonte como o local de boemia e isso combina muito com o clima de tango, que é a trilha sonora que nos acompanha enquanto estamos ali sentados bebendo vinho e comendo delícias.
Semana passada, conversando com Cesar, decidi que tínhamos que ir ao Pizza Sur do bairro Cruzeiro, na rua Vitório Marçola. Confesso: foi amor à primeira vista. Eu já conhecia as pizzas e as empanadas deliciosas. Mas o clima de lá é muito romântico e fez com que eu me sentisse muito mais em Buenos Aires do que na unidade Liberdade. Isso não é um demérito para a Rua da Bahia, pelo contrário! Isso faz com que tenhamos dois lugares românticos com o mesmo nome e climas levemente diferentes.
A casa é ampla. Nenhuma cadeira é igual. As velas sob as mesas em garrafas de vinho são iguais nas duas unidades. No entanto, na parte de dentro, os clientes contam com mesas iguais as que temos em casa, que comportam até oito pessoas. Na varanda do lado de fora as mesinhas são disputadas. Talvez porque ali seja um dos lugares mais aconchegantes da unidade. Nos fundos, onde seria o quintal, temos várias mesas ao ar livre, junto de plantas criando assim um ambiente caseiro que nos abraça enquanto estamos ali. Os cartazes de Gardel e outros nomes do tango estão presentes, assim como a música que nos acompanha durante o jantar.
As pizzas são as mesmas nas duas unidades, mas dou uma ênfase especial para a Martina, minha favorita, feita com trutas e amêndoas. Entre as empanadas minha favorita é sem dúvida alguma a Criola, feita com carne desfiada, azeitonas, ovos e cebola. Dentre os vinhos, indico o argentino Lagarde Merlot reserva 2007: preço justo e qualidade indiscutível. De sobremesa temos o crepe de dulce de leche acompanhado de sorvete, ou ainda as pizzas e as empanadas doces.
Bom, está feita assim a indicação. O Pizza Sur é um lugar que não sai muito caro e que é delicioso para bebericar um bom vinho, comer empanadas, pizzas gourmets e namorar. Experimentem, e depois me digam o que acharam!
Até a próxima!!

Pizza Sur http://www.pizzasur.com.br/
Unidade Cruzeiro: Rua Vit. Marçola 146
Tel: (031) 3285.4203
A partir das 18 hs
Unidade Liberdade: Rua da Bahía 1764
Tel: (031) 3222.8077
A partir das 11 hs
Belo Horizonte, Brasil.

sábado, 18 de julho de 2009

Romantismo Oriental

Eu nunca gostei de comida japonesa. Sempre achei meio estranha a idéia de comer peixe cru, e também não me agradava muito a textura das algas na boca.
Dizem por ai que quando um rapaz quer conquistar uma mocinha, invariavelmente depois do cinema ele a leva a um japonês. Fiquei pensando a respeito. Cesar se não tivesse ficado sabendo logo de cara que comida japonesa não era a minha favorita, talvez tivesse me levado em um quando começamos a namorar.
Fico aqui pensando: Talvez até haja um fundo de verdade nisso. Vejam o caso da minha irmã, por exemplo. Ela também não gostava de japonês, mas acompanhando um namorado ela passou a freqüentá-los, aprendeu a comer de hashi e hoje já tolera a textura do salmão cru e mais, diz que gosta. Fantástico e ao mesmo tempo um mistério: uma pessoa que passou a vida inteira não gostando de japonês, se deixou seduzir pelo restaurante e também pelo namorado!
Diante dos mistérios da paixão que rondam tais emblemáticos lugares de conquistas, decidi que eu deveria experimentar algo do tipo, afinal de contas eu precisava entender qual é o elixir do amor que paira sobre esses lugares.
A decisão não foi tão rápida assim. Comecei aos poucos provando sushis de “mentira”, que embora fossem feitos com peixe cru, vinham cobertos de queijo cheddar, assim o gosto do peixe ficava disfarçado. Comecei comendo japonês em restaurantes a quilo que possuem sushi mans que abrilhantam o buffet.
No entanto, acabei me rendendo verdadeiramente à comida japonesa em um restaurante magnífico que Cesar e eu fomos em Miami esse ano, acompanhados do tio Celso e da tia Ângela. Segundo Cesar, aquele foi o melhor sushi de atum que ele já comeu na vida, porque o peixe realmente era fresco. Foi ali que eu acabei comendo um ebbi sushi e um sushi Califórnia. Ironicamente adorei. A textura do camarão cru não me foi assim tão repugnante, e obviamente eu pude também comer uma série de pratos quentes que ajudaram a completar a refeição.
Pois bem. Depois dessa experiência razoavelmente bem sucedida em Miami, que devo até confessar, não teve nada de romântica mas foi um agradabilíssimo encontro entre amigos; cheguei a Belo Horizonte com a mente mais aberta para experimentar os novos sabores que a culinária oriental teria a me ofertar.
Foi assim que oito anos depois do inicio de nosso relacionamento, Cesar finalmente me levou pela primeira vez a um restaurante Japonês. Ele queria que eu fosse iniciada em grande estilo, portanto ele me levou ao Hokkaido, um dos melhores restaurantes de comida japonesa de BH.
Como boa observadora que sou, obviamente olhei vivamente para todos os lados do lugar. Ele estava coalhado de casais. O Hokkaido fica no Ponteio Lar Shopping aqui em Belo Horizonte, e Cesar e eu decidimos que nos sentaríamos na parte de cima do restaurante, pois assim teríamos uma vista panorâmica do lugar. Essa foi uma excelente idéia. Olhando para baixo ironicamente percebi um dos possíveis motivos de os rapazes gostarem de levar as mocinhas a restaurantes japoneses: o Sakê! Tinha uma mocinha sentada na mesa abaixo de onde nós estávamos que estava virando aqueles potinhos quadradinhos de sakê ao lado do namorado, que provavelmente estava pensando: bem, tenho que deixá-la bêbada, mas não em coma, do contrário não vou me dar bem hoje!
Brincadeiras à parte, eu acho que entendi o que tem de especial nos japoneses. O clima! É bem possível também que as comidas tenham um quê de afrodisíacos, porque aquela raiz forte é bastante picante, a ponto de fazer-nos chorar quando exageramos na dose.
Existe um clima bastante exótico ligado à cultura japonesa e aos seus restaurantes. O fato de você muitas vezes ter que tirar os sapatos para entrar nos restaurantes, o sentar-se no chão para comer, a música típica baixinha acompanhando a refeição, o exotismo da comida em si: tudo isso contribui para a criação de uma fantasia romântica que aparentemente é muito bem sucedida.
A submissão feminina que paira sobre a cultura japonesa talvez seja uma válvula propulsora para que os homens considerem tais restaurantes como lugares românticos: aquela mulher delicada, que fala baixo, anda silenciosamente pelos locais, sempre bem vestida pronta para realizar todos os seus desejos. Por outro lado, a figura daquele homem seguro, protetor, guia, de certa forma também faz parte do imaginário feminino do príncipe encantado. Tudo isso misturado a uma dose de exotismo fabrica culturalmente para nós aquilo que talvez seja um dos lugares românticos mais rentáveis do ramo da gastronomia.
Eu devo confessar: salmão cru ainda não como não. Mas de vez em quando Cesar me faz experimentar coisas novas, chegando aqui em casa com bandejinhas cheias de delícias orientais para comermos com hashis. Já fiquei fã do camarão cru e de versões mais ocidentais do sushi. Aprendi a comer de hashi, agrado de uma água ardente e tolero bem a raiz forte. É, talvez eu já esteja mesmo me deixando seduzir, me deixando guiar por uma figura masculina segura e cheia de coisas novas para me mostrar. É, acho que é assim mesmo que as coisas funcionam, sempre chega um momento em que a gente se rende ao novo, ao inusitado, ao romântico e sensual. Não tenho do que reclamar, não mesmo, tenho adorado as novas experiências, e o melhor de tudo: hoje já posso eleger novos lugares românticos para a minha vida. O que vocês estão esperando hem? Corram, peguem seus pares e sigam para o japonês mais próximo para encher a cara de sakê!
Até a próxima!

domingo, 12 de julho de 2009

A Cafeteria

Essa semana meu cérebro me pregou uma peça: esqueci-me do dia 8 de julho! Esse foi o dia que eu e meu marido começamos formalmente a namorar, oito anos atrás. Talvez esse tenha sido também um esquecimento seletivo, uma vez que essa data feliz acabou sendo também um marco de medo em 2007, quando Cesar e eu fomos assaltados a mão armada na lagoa da Pampulha. Enfim!
Ontem Cesar me lembrou que eu tinha me esquecido da data, e que eu nem havia reparado na champanhe e no clima de comemoração. Muito insensível de minha parte! Mas, depois de conversarmos chegamos à conclusão de que talvez tenha sido melhor assim: é impressionante como que em determinadas pessoas, assim como eu, as más recordações têm a tendência de serem mais fortes do que as boas... Não ter me lembrado de nosso aniversário de namoro fez com que eu me esquecesse do dia do assalto. No entanto, agora estou aqui, em pleno domingo, dando espaço para boas recordações em minha cabeça.
Já há alguns dias que eu tenho pensado seriamente em falar sobre um lugar que para mim e para o Cesar é romântico por excelência aqui em BH: o Café Três Corações, ou A Cafeteria, que ficava na Praça da Savassi, bem na esquina com a av. Cristovão Colombo. Não estou me referindo àquela portinha que está aberta hoje lá na rua Antonio de Albuquerque. Refiro-me àquele lugar de aconchego, delicioso, com mesinhas na rua, que servia o melhor capuccino shake da cidade!
Já era esperado que uma hora a especulação imobiliária e o empreendedorismo das operadoras de telefonia celular iriam transformar aquele cantinho em mais uma loja de vendas de aparelhos celulares, já que as outras três esquinas de lá possuem lojas desta área: e viva a concorrência, uma coladinha na outra! Só que a tradição do café, mais a paixão que muitos belohorizontinos detinham pelo local me faziam pensar que esse dia talvez nunca chegasse... Infelizmente ele chegou!
Lembro-me do dia que Cesar e eu começamos formalmente nosso namoro. Ele estava lá no café, de pé, de terno, lindo me esperando chegar com uma caixa de bombons da Copenhagen nas mãos. Eu era uma mocinha de 19 anos de idade, no auge da beleza, buscando novas experiências, começando minha carreira de jornalista, cheia de amor no coração e estranhamente apaixonada por aquele rapaz, meio nerd, tímido, que trabalhava na área de computação e que tinha acabado de se mudar para São Paulo por causa de um emprego.
O Café tinha um esquema de música ao vivo que acontecia do lado de fora. Era uma delícia aquilo porque sempre eram músicos de extrema qualidade tocando MPB, jazz, entre outros gêneros bons para os ouvidos e inspiradores para os corações.
Era de lei, a gente chegava lá e eu logo pedia o meu capuccino shake duplo com chantily. Nem sei ainda se eles continuam fazendo esse capuccino. Não tive ainda coração de ir lá! Mas para mim aquela bebida tinha gosto de amor. Temo que essa doce memória possa ficar ofuscada pela decepção de tomar o mesmo capuccino hoje em um local tão diferente daquele das minhas recordações...
Minha relação romântica com A Cafeteria não começou somente com meu namoro com Cesar. O Café já era paixão antiga. Eu tinha o costume de ir lá sozinha e ficar olhando o tempo passar. Lá era o que nós, mineiros, tínhamos de mais próximo daqueles cafés deliciosos que existem na Europa, onde as pessoas sentam-se ao ar livre para ler jornais e olhar o tempo passar.
Eu sempre fui uma grande narcisista apaixonada por mim mesma, então eu sentia que eu tinha esse compromisso comigo: ir para um lugar deliciosamente inspirador para curtir os meus momentos comigo mesma e me perder em meus pensamentos e idéias, que invariavelmente mais tarde seriam cuidadosamente colocados em palavras nos textos que eu adorava escrever. O Café era perfeito para isso!
Uma recordação gastronômica deliciosa era o sanduíche de filé com molho de manjericão. Tinha também o clássico pão de queijo recheado com tomates secos e alface que era de comer de joelhos.
Cesar e eu íamos muito lá no decorrer de nosso namoro. Com ele morando em São Paulo, quase todos os finais de semana ele estava aqui em BH, e lá era sempre um de nossos destinos. Pensando aqui, passamos muitos momentos de curtição por lá. Quando queríamos ouvir a música, a gente se sentava mais perto de onde os músicos estavam, Quando queríamos mais privacidade, íamos para as mesinhas que ficavam na pracinha, com os toldos. Quando estava frio, ficávamos no lado de dentro... e de lei sempre bebíamos o capuccino e com jeitinho fui também introduzindo a Cesar o vinho, porque na época ele não me acompanhava nas bebericagens como ele o faz hoje em dia... é... talvez os amigos dele estejam certos, talvez eu o tenha levado para o mau caminho mesmo porque hoje vejo que ele bebe até mais vinho do que eu!
Temos histórias engraçadas por lá, de bebedeiras minhas de vinho, de muitos amassos pela Savassi afora, de micos da minha irmã quando íamos para lá em programinhas de casais... já encontramos muitos amigos que não víamos há tempos por lá... já vimos gente famosa lá também... sinto saudades.
Sinto saudades do lugar, do clima, do capuccino, do sanduíche, dos pães de queijo... sinto saudades dos meus 19 anos e da minha paixão pelas coisas naquela época. Sinto saudades do que o café representou na historia da minha vida... e é engraçado, até agora neste blog sempre falei de lugares românticos que estão ali, à disposição de todos que quiserem experimentar sensações de amor e aconchego, no entanto agora estou aqui falando de um local que não existe mais da forma como o estou pintando...
Restam-me lembranças e quem sabe a coragem de ir até lá bem acompanhada. Quem sabe Cesar e eu possamos criar uma nova história por lá? Bem, por melhor que ela seja, as saudades continuam, pois sabemos que não voltaremos mais àquelas cadeiras de frente para a Cristovão Colombo novamente... afinal, agora o café é só uma portinha na rua Antonio de Albuquerque...