Quando as Letras se Misturam com a Gastronomia, o Romance tem Sabor de Cultura


Foto Nicole Delucca Linhares: Unidade Savassi
É pessoal de BH! Vocês devem estar pensando assim: a Nicole, sendo quem ela é, está demorando a trazer um post com o Café Com Letras para o Lugares Românticos, não é mesmo? E realmente não tinha como não falar a respeito. Quem me conhece sabe da relação louca que tenho com meus livros: hoje são mais de 500 exemplares, todos catalogados em uma planilha de Excel divididos em categorias como: gênero, autor, língua, e o que mais vocês imaginarem.

Não tem jeito, né gente, cresci sendo uma mocinha das letras. Fui criança apaixonada por livros, adolescente sonhadora metida a poeta e que decorava poemas famosos em diversas línguas para ficar se exibindo para si mesma em momentos de solidão. Sou formada em jornalismo e levo essa coisa do “escrever” muito a sério. Então, um lugar como o Café Com Letras realmente ocupa um espaço muito especial na minha vida e sei que por diversas razões ele também ocupa um lugar de destaque na vida de muitas pessoas, em especial casais, por ai.

Ontem mesmo, em resposta a uma das várias fotos que postei do Café, enquanto eu estava lá terça-feira à noite, experimentando delícias para fazer esse post, recebi um recadinho de um de meus seguidores que confidenciou que sua história de amor começou lá. Tenho um amigo e ex-aluno de italiano, que hoje mora fora do país, o queridíssimo Marcio Pierobon (acho que ele vai ficar feliz por eu ter lembrado dele rsss) que em sua temporada aqui em BH havia elegido o local como um de seus restaurantes preferidos na capital mineira. Antes de ontem, plena terça-feira, a casa estava cheia e muito animada com o duelo de bandas que estava acontecendo lá. Então o que dizer? O Café com Letras é lugar romântico, mas é também point cultural amado por uma parcela imensa de pessoas que curtem um happy hour cultural regado a boa música, boa comida e boas bebidas aqui em BH.

Uma combinação perfeita entre a cultura e o romance

Foto: Nicole Delucca Linhares
Ambiente próximo à cozinha:
ótimo pra namorar
A casa inaugurou em BH em 1996, na época eu estava com 15 para 16 anos. Foi exatamente ai que a conheci, porque uma das amigas da minha irmã dos tempos de Fundação Torino, a Isis, trabalhou lá. Lembro-me de que minha alma adolescente e literária viajou naquela ideia linda e inovadora (ao menos para mim na época) de colocar livros disponíveis para serem folheados e comprados dentro de um restaurante pra lá de aconchegante. Daquele momento em diante, ir à Rua Antônio de Albuquerque passou a significar algo diferente para mim.

Hoje, passados 20 anos disso tudo, o Café Com Letras continua não só firme e forte na cena gastronômica e cultural da cidade (eles são os responsáveis pela organização de eventos de destaque como o Savassi Festival, Jazz Com Todas as Letras, Salão do Livro, Casa Ototoi, Sunset DJs entre outros); como conta, além da sua unidade na rua Antônio de Albuquerque, com uma unidade dentro do Centro Cultural do Banco do Brasil, no Circuito Cultural da Praça da Liberdade. A pegada nessa outra unidade, inaugurada em 2013, é um pouquinho diferente da que eles tem na Antônio de Albuquerque. Lá, ao invés de livros, os frequentadores se deparam com uma exposição de arte dentro do local, ideia bem adequada para o contexto no qual o Café está inserido. Além disso, eles colocaram lá um belíssimo piano de cauda que se tornou o instrumento chefe das apresentações musicais que acontecem semanalmente. Se BH já tinha no “antigo” Café Com Letras um lugar especial para se frequentar, agora com o do CCBB ganhamos de presente mais um lugar romântico para dividir bons momentos com quem gostamos.

Savassi: Intimista, aconchegante e descolado

Foto: Nicole Delucca Linhares - Piano Vertical - Unidade Savassi
Uma casa antiga na Savassi cuidadosamente transformada em um lugar aconchegante, com iluminação a meia luz e decoração intimista: este é o Café com Letras da Savassi. Cada cômodo da casa foi decorado de uma forma diferente, com papeis de parede, quadros pendurados e, claro, prateleiras e prateleiras de livros (são mais de 3.000 exemplares!) que podem ser folheados e claro, comprados! O legal da casa é que a gente consegue tanto ter ambientes para estar entre amigos, como nas mesas do lado de fora da casa e as do “alpendre”, quanto conseguimos também ficar escondidos da multidão em ambientes mais reservados, ideais para quem quer mais intimidade para conversar e namorar.

Chegando ao local vemos as mesinhas do lado de fora, subindo a escadinha, uma varandinha e a recepção do Café. Logo ali, poucas mesas e algumas prateleiras de livros. Seguindo adiante, mais um cômodo, próximo à cozinha, onde foram colocadas três mesas bem reservadas. À esquerda da entrada principal, mais um ambiente, ali com mais mesas, de frente para o bar. É lá que costumam acontecer as apresentações de música. No canto, perto da janela, um piano vertical “guardado” dentro da estante de livros. À esquerda deste ambiente, mais um cômodo, onde seria uma área externa da casa. Ali, mais mesas, decoração com mosaicos nos bancos coletivos de alvenaria, madeira e pintura em tons quentes nas paredes, deixando o lugar com um ar sofisticado, mas ao mesmo tempo com um jeito delicioso de “alpendre”.

A trilha sonora do local é de excepcional qualidade quer seja ela comandada por DJs e quer seja ela ao vivo. Ali escutamos o melhor da musica instrumental tanto brasileira quanto estrangeira, jazz, blues, rock clássico e música eletrônica.

CCBB – artístico, elegante e romântico

Café Com Letras Liberdade - Foto de Divulgação
Foi num dia em que eu estava passeando pela exposição do Iberê Camargo em cartaz no Centro Cultural do Banco do Brasil que conheci o Café com Letras Liberdade. Era um domingo e eu andei por todas as salas com obras do Iberê. A exposição estava maravilhosa, mas imensa! Assim que passei pela última sala senti aquela vontade louca de tomar um café e foi quando cheguei ao térreo e entrei no Café Com Letras. Lembro-me de que fiquei parada uns minutinhos na porta, olhando lá pra dentro e reconhecendo o local: um salão só, que deveria ter a capacidade para mais ou menos umas 120 pessoas, parecido com o seu irmão mais velho da Savassi. Porém, ao invés de livros pelas paredes, o que eu via era uma bela exposição de arte espalhada pelas prateleiras. As exposições mudam de tempos em tempos, e naquele dia a que estava lá era a “Implacáveis”, ainda em cartaz, de Antônio Carlos Figueiredo, responsável pelo Museu do Cotidiano. São 100 placas históricas de metal que o colecionador recolhe há mais de 25 anos.

Fora a exposição, chama muito atenção de quem entra lá aquele lindíssimo piano preto de cauda. Sua presença ali é imperativa e enche aquele salão de charme. A iluminação também é a meia luz, e os ladrilhos hidráulicos do piso ajudam a dar um charme especial ao lugar. Ali também acontecem apresentações ao vivo de música que acabam tendo o belíssimo piano de como protagonista. Às segundas, sempre um pianista se apresenta com repertórios que vão do jazz à música instrumental brasileira até a erudita e contemporânea. Sem dúvidas um programa de excelente qualidade que vai agradar tanto a jovens casais descolados com bom gosto cultural quanto a casais mais maduros que buscam um ambiente cultural mais tranquilo para beber um bom vinho, comer uma boa comida e apreciar uma boa música.

Comidinhas que enchem o coração de amor

Foto: Nicole Delucca Linhares - Tartare de Salmão
Uma das coisas que mais amo no Café Com Letras é o seu cardápio. Quando avisei que estava escrevendo um post sobre ele no meu Instagram, logo uma das minhas seguidoras se manifestou dizendo que ama o lugar não só por tudo o que já escrevi aqui, mas também porque lá é um dos poucos restaurantes de BH que dedicam um pedacinho do seu cardápio para agradar com qualidade aqueles que, como a minha seguidora, não comem carne.

Ambas as unidades possuem o mesmo cardápio que traz sanduíches, saladas, massas, risotos, carnes, peixes, pratos veganos e vegetarianos (quem conhece sabe que há diferença entre uma e outra coisa) além dos petiscos e das sobremesas, que tem horas que acho que eles fazem de propósito pra gente não resistir nunca e sair da dieta sempre. Quando abrimos o cardápio, logo à nossa esquerda estão as sugestões da casa com opções de harmonizações com os vinhos, que tem opções tanto em garrafas, quanto em meia garrafa ou ainda em taças.

Foto: Nicole Delucca Linhares
Buschetta do Chef e vinho
Confesso que sou fã dos pães de queijo recheados e das Bruschettas. Na ultima terça-feira pedi uma porção de bruschetas do chef (6 unidades por R$26,00). Elas são preparadas com champignon de Paris e queijo parmesão e estavam dos deuses! Entre os petiscos chamo atenção ainda para o tartare de salmão (R$37,00), que também comi na terça-feira e é servido com chips de baroa e molho de limão siciliano. Muito, muito bom. Entre os pratos principais indico sempre o penne ao molho de vodka, porque gosto muito de coisas picantes e no molho de vodka vai pimenta dedo de moça, um espetáculo! Outra opção, aqui para os carnívoros de plantão é o steak de filé ao molho de jabuticabas que vem com um purê de batatas e uma salada bem farta de folhas como acompanhamentos.

Agora é na hora que chegamos às sobremesas que a coisa fica feia para o meu lado (e olha que nem gosto muito de doces!). Simplesmente amo tudo o que está descrito naquele cardápio, mas chamo especial atenção para os morangos flambados (R$17,00). Eles flambam os morangos em curaçau, colocam ali um sorvete de creme e raspas de chocolates. Na última terça-feira eu experimentei o cheesecake de macadâmia com geleia de figos (R$17,00) e fiquei vendo minha amiga devorar uma deliciosa (claro que experimentei!!!) torta de limão. Pra quem é de chocolate, não tem como perder o brownie e o clássico, dos clássicos: o petit gateau.

Foto: Nicole Delucca Linhares - Morangos flambados
Para quem vai de café, existe uma infinidade de drinks feitos à base da bebida. O Capuccino gelado é delicioso, bem como os chocolates quentes e suas variações. Eu vou sempre de espresso curto e sem açúcar, há quem diga que assim é pros fortes, não é? Mas fazer o que? Amo mesmo um bom espresso.

Restaurant Week 2016

Até o próximo dia 01 de maio a unidade Liberdade do Café Com Letras está no Restaurant Week para o jantar com um menu de dar água na boca! Assinado pelo Chef Leandro Pimenta, o menu conta com duas opções de entrada, duas de prato principal e duas de sobremesa. Para a entrada você poderá escolher entre Fish and Chips do Cerrado: lambari e peixinho da horta empanados, fritos e servidos com chips de baroa e molho tártaro de tucupi; ou mini pães de queijo servidos com salmão fresco, creme azedo e dill. Para prato principal as opções são uma porqueta braseada com barbecue de tamarindo, couscus de canjiquinha e legumes do cerrado; ou Ravioles de abóbora tostada, coalhada natural feita na casa, gelatina de licor de pequi, agrião e especiarias. Por fim, de sobremesa as escolhas são entre um arroz doce de coco feito com arroz arbóreo, pralinéde de amendoim e geleia de marrom glacê; ou então um delicioso creme de papaia com redução de vinho de catuaba. Gostaram das opções? O jantar do Restaurant Week esse ano está saindo por R$51,90 + R$1,00 opcionais para a Associação Mineira de Reabilitação. Vale ou não vale a pena?

Abaixo estão todas as informações sobre o funcionamento das duas casas e vídeos explicando o menu do restaurant week e a exposição de arte no local. Consultem o site do Café para conferirem a programação cultural do dia que vocês estiverem planejando ir lá. Espero que tenham gostado das dicas e que vocês se apaixonem pelo Café Com Letras, como eu me apaixonei!





Até a próxima!

Serviço:

Savassi:
Endereço: Rua Antônio de Albuquerque, 781 - Savassi
Horário de Funcionamento: 2ª a 5ª das 12h a 0h, 6ª e sáb. das 12h a 1h, dom. das 17h às 23h.

Liberdade:
Endereço: Praça da Liberdade, 450 – Funcionários - Centro Cultural Banco do Brasil
Telefone:31 3267-9929
Horário de Funcionamento: 4ª a 2ª das 12h às 21h
Telefone: 31 3225-9973




Histórias românticas por um lugar romântico – Lembranças da Alessa Gelato & Caffè


Foto: Nicole Delucca Linhares
Hoje quero trazer uma coisa diferente para vocês aqui no blog. Geralmente eu falo sobre minhas vivências nos lugares românticos aonde vou. Mas desta vez eu recebi um feedback tão lindo, carinhoso e receptivo da Alessa Gelato & Caffè, uma sorveteria deliciosa aqui em BH sobre a qual escrevi ano passado; que quero dividir com vocês agora as experiências românticas que esse lugar romântico guarda na sua memória.

Sim, o que vocês estão pensando? Lugares Românticos também guardam suas histórias e as contam com muito carinho, afinal de contas, pelo que pude entender conversando com a Andrea, proprietária do local, e a Geovana, gerente de lá, deve ser muito gostosa a sensação de saber que se faz parte de maneira tão importante da vida de alguém. Já repararam que todo casal lindo que se preza tem a sua trilha sonora oficial? Pois é, da mesma forma todo casal que se preza tem o seu lugar romântico por excelência. Se isso não fosse verdade, este blog simplesmente não teria uma razão de ser.

Quando escrevi sobre a Alessa eu estava querendo indicar um lugar diferente para casais se curtirem e ao mesmo tempo eu queria passar pelo meu texto o quanto a experiência do sorvete poderia ser diferente daquela visão infantil que geralmente temos. Ok, não estou dizendo que a Alessa seja uma sorveteria somente para adultos. Não mesmo. Conversando com a Geovana, confirmei o óbvio: uma parte considerável do público da casa é formado por famílias que levam ali seus pequenos para curtirem momentos juntos saboreando a sobremesa.

Mas a Alessa é um lugarzinho bem especial e por lá já nasceram muitas histórias bonitas de gente que vive junto e feliz até hoje. Já teve pedido de namoro, surpresa de aniversário, bilhetinhos trocados e até casamento acontecendo lá dentro com direito a DJ, espumante e sorvete! A gente sempre se lembra dos lugares onde nos encontramos pela primeira vez com nossos amores. Tem sempre aquela lembrança especial sobre o dia em que se foi pedido em namoro ou em casamento. A gente se lembra do lugar onde aquela declaração de amor linda foi feita, ou onde o primeiro beijo foi dado e fica parecendo que essas são histórias que somente nós guardamos para a gente, mas olha, conversando com a Andrea e com a Geovana percebi o entusiasmo e o carinho que elas tem ao se lembrarem dessas histórias. Como a própria Geovana disse, parece que a Alessa é um pouco romântica também, porque ela compra a ideia, apoia a surpresa e ainda ajuda na execução dos planos românticos mirabolantes.

Flor Bella: pão de ló, calda de chocolate e flor feita com
sorbet de framboesa! Foto: Divulgação
Quem ai já passou por lá e saboreou uma deliciosa Flor Bella? Pois é! Quando a gente olha aquela lindíssima flor feita com sorbet de framboesa, em cima de um pão de ló com calda de chocolate nem pensa que por trás de toda aquela lindeza está o pedido de um noivo apaixonado. Surpresos? Pois é, eu também fiquei quando a Geovana me contou que certa vez um artista plástico que iria se casar encomendou a eles uma sobremesa para a recepção do casamento e queria que ela homenageasse as rosas lindas que sua noiva tinha tatuadas nas costas. Eles levaram o doce para o local da festa e foram instruídos pela organização da recepção a irem servindo de fora para dentro do salão. A noiva foi servida por último pelo próprio noivo, que havia feito aquilo como uma surpresa para ela. O sucesso da sobremesa foi tanto durante a recepção, que depois a Alessa resolveu incorporar a Flor Bella em seu cardápio de delícias. Já sabem agora o que pedir na hora de impressionar a namorada? Além de linda devo dizer que esse sorbet de framboesa é simplesmente delicioso!

Foto: Nicole Delucca Linhares
Acharam pouco? Então esperem até saber da história do namorado que preparou todo o circo para surpreender a amada em uma comemoração de 12 de junho! Geovana me contou que o namorado havia dito à sua namorada que ele estaria fora na data, mas que queria que ela tivesse uma comemoração. Ele fez uma reserva no restaurante Dádiva, deixou o jantar pago e disse à garota que ela deveria ir tomar um sorvete de sobremesa lá na Alessa. Depois do sorvete, ela deveria pedir à Geovana o taxi que a levaria ao cinema. Ele havia deixado lá na sorveteria uma cesta linda com flores, ursinho e bombons que deveria ser entregue a ela somente no momento em que ela pedisse o taxi.

O pessoal da Alessa precisou então rebolar com o cronômetro porque na realidade, quem iria chegar ali não era um taxi, mas sim o namorado. Ele queria que ela curtisse o jantar sozinha, tomasse a sobremesa sozinha, ganhasse o presente sozinha e no final, o último presente da noite, seria ele, o namorado. Geovana conta que para que o plano desse certo foi necessária também a ajuda da mãe dele. Ela lembra que quando a menina pediu o taxi eles precisaram segurá-la ali até o namorado chegar. Eles disseram que teriam que entregar a ela o recibo da operação, que estava paga com um cartão de crédito de São Paulo. Foi então que a Geovana apareceu com aquela cesta linda. A menina começou a chorar, o namorado surgiu pela porta e pelo que Geovana contou foi realmente uma das coisas mais emocionantes do mundo! De lá eles seguiram para o restante da noite romântica que aquele cavalheiro havia planejado. Suspiraram dai?

Para vocês terem uma ideia de como tudo isso foi especial para esse casal, Geovana conta que hoje eles são casados e tiveram um filho que foi batizado com o nome do filho dela. Essa surpresa linda aconteceu há mais ou menos uns seis anos. Geovana conta que atualmente eles não moram em Belo Horizonte, mas sim em São Paulo, mas mesmo assim, sempre que estão aqui em BH vão à Alessa tomar sorvete em família e ainda levam amigos para quem contam a história com muita alegria. Um final super feliz para um casal que elegeu ali como o seu lugar romântico em Belo Horizonte.

E a coisa não para por ai! Se vocês acharam que o namorado do relato acima foi um fofo se preparem para as emoções desse casal que elegeu a Alessa não só para ser o local de encontros do casal, mas foram além: resolveram realizar o casamento deles lá. Sim, isso mesmo que vocês estão lendo. Esse casal fechou a casa, contratou um DJ e fez uma recepção ali em comemoração ao seu casamento para um grupo seleto de amigos. A festa foi animada e eles serviram ali, claro, sorvete e espumante para acompanhar a comemoração. Andrea conta que eles depois fizeram uma recepção formal para a família, mas aquele micro wedding na Alessa ficou na memória de todos!

Banana Fiamma: sobremesa da seção ousados do cardápio: banana flambada,
 sorvete de canela e calda de chocolate! Foto: Nicole Delucca Linhares
Geovana lembrou também do policial civil que pediu a ajuda deles para fazer um pedido de namoro pra lá de especial. Ela disse que assustou com aquelas viaturas parando ali na porta, mas que pouco depois entendeu o motivo: o rapaz queria, na verdade, combinar com ela uma surpresa que ele gostaria de fazer à garota de quem ele gostava. Ela era da mesma turma de amigos dele, mas nunca havia percebido que o rapaz em questão gostava dela. Então ele combinou tudo com a Geovana: ele faria um vídeo com uma montagem de fotos deles na turma para passar em uma das televisões de lá. A ideia era a menina perceber o quanto ele estava presente na vida dela. Em seguida, quando o vídeo tivesse terminado, a Geovana chegaria para ela com uma sobremesa linda, cheia de mimos que eles lá na Alessa resolveram fazer por conta própria. Geovanna me explicou que a Andrea tem uma caixinha cheia de fofuras: balões, laços, e outros mimos. Eles tem isso lá porque como parte do público que frequenta a casa é infantil, eles gostam de fazer festa com a meninada. Mas às vezes esses mimos são uteis também quando aparecem rapazes apaixonados querendo pedir suas amadas em namoro. O engraçado dessa história é que o filme começou a passar e a menina demorou um tempinho para perceber. Não preciso nem dizer, não é? Todo mundo acabou emocionado e o rapaz em questão conseguiu o seu final feliz ali.

Geovana contou também que já teve cliente pedindo pra entregar bilhetinho com número de telefone para meninas e que disso saiu namoro. Já tiveram vários casais que ou se conheceram ali, ou se tornaram frequentadores assíduos e perpetuam esse histórico até hoje. Geovana se orgulha de ver as histórias que começaram ali e continuam dando certo até hoje, e se lembra também de histórias que começaram ali, deram certo até um certo ponto e depois terminaram. Ela contou que teve um casal de namorado que se separou, mas continua frequentando a casa com seus novos pares.

Estão vendo só? Eu, através dos lugares românticos que já fui, vivencio momentos legais nos lugares que visito com ou sem companhia. Mas às vezes acontece de termos esse feedback bacana e podermos contar as histórias de experiências românticas sob o ponto de vista dos lugares românticos, saindo um pouco do foco das emoções dos protagonistas da história. Pra vocês verem que não são só as pessoas que se lembram dos seus lugares românticos, mas muitas vezes as histórias de vocês ficam marcadas para sempre nos corações dos lugares também!


Até a próxima!

Serviço:
Endereço: Rua São Paulo, 2112, Lourdes,
Telefone: 31- 3292-2588.
Funcionamento: Domingo a Quinta das 13h à 0h Sexta e Sábado das 13h às 2h.

Novas Paixões, Velhos Conhecidos – O Café Três Corações


O Café e as mesinhas lá fora - Foto Minha
Já é a terceira vez que revisito esse lugar aqui no blog. É que lugares românticos vão mudando de nuances à medida que o tempo vai passando (ou somos nós que mudamos e passamos a ver tudo diferente?). Esse é um lugar aqui em BH que me trás muitas lembranças boas. Quem acompanha o blog desde o início, em 2008, já deve ter passado pelo primeiro post sobre ele, do dia 12 de julho de 2009, quando eu falava saudosista do lugar onde eu havia conhecido meu ex-marido. O local tinha sido transferido para outra loja por conta da chegada de mais uma operadora de telefonia celular à Praça Diogo Vasconcelos, a Praça da Savassi. Nesse post eu dizia que não tinha coração para ir ao novo endereço, pois aquela mudança havia tirado para mim o encanto do local. Então, em 08 de setembro de 2010, escrevi sobre o dia que criei coragem para revisitá-lo, numa tarde descompromissada, acompanhada, na verdade, por uma amiga. Pois é, quantas histórias eu tenho nesse Café Três Corações, que nos tempos de mesinhas na Cristóvão Colombo chamava-se “A Cafeteria”!

De 2009 pra cá são sete anos. De lá pra cá a Savassi passou por mutações imensas. As reformas para a Copa do Mundo acabaram gerando um êxodo de lojistas da região, porque com o acesso bloqueado às principais vias do bairro durante as obras, as lojas ficaram vazias. Depois de terminada a reforma, a associação dos moradores da Savassi informou que houve um aumento de 33% no movimento local. A Copa do Mundo ajudou muitos a se manterem de pé mais um tempo. A Praça foi vedete e vivia lotada de pessoas comemorando e aproveitando da sua grande oferta de bares, restaurantes e casas noturnas.

Rua Antônio de Albuquerque - Foto minha
Entretanto, não obstante esse aumento de movimento após as obras de revitalização, para a tristeza de belo-horizontinos saudosistas como eu, depois da Copa do Mundo a Savassi não foi mais a mesma. Fomos vendo aos poucos lugares icônicos como as livrarias Status e Travessa fecharem as portas por não darem mais conta de se manterem diante das novas realidades da economia nacional e também por conta da especulação desenfreada do mercado imobiliário na região, que para todo lado segue uma movimentação de diminuição de preços de locações, mas que ali parece estar ainda seguindo uma lógica contrária.

Vivendo novas paixões visitando velhos conhecidos

Um charme! - Foto minha
Pois é, os proprietários das lojas da Savassi ainda estão acreditando que os empresários continuarão ali mesmo com o aumento de preço, confiando na segurança do ponto. Ledo engano. O ponto acaba se adaptando às novas realidades e necessidades. Isso quando o estabelecimento continua funcionando, porque o que tenho visto acontecer aqui em Belo Horizonte ultimamente é o fechamento definitivo de muitos lugares. Já estou até preparando um post com o coração apertado sobre os Lugares Românticos Que já Fui e que não voltarei. Acreditem: são muitos!

Cappuccino Shake Com Chantilly:
Um Clássico! Foto Minha
Mas o meu querido Café Três Corações continua ali, firme e forte, em um ponto relativamente diferente, mas ainda com aquele charme da Praça da Savassi. Vocês agora provavelmente estão se perguntando: mas por que a Nicole está trazendo o Café aqui para o Blog mais uma vez? E a resposta é simples: sempre que um lugar me desperta algo diferente, mesmo eu já tendo ido a ele milhões de vezes, ele vai ser merecedor de um post aqui. Depois de 2010, voltar lá era uma coisa simples de acontecer. Quem ama café como eu sempre que está de bobeira pela Savassi acaba parando em algum lugar para tomar um cafezinho, nem que seja aquele tradicional coadinho. Mas para virar post novamente o Café Três Corações precisava ser visitado em uma situação menos trivial. Para isso só faltava mesmo companhia. E eis que agora, em pleno 2016, essa oportunidade de boa companhia surgiu.

O pão de queijo recheado com tomate seco e alface era o mesmo que eu me lembrava. O cappuccino shake com chantilly também. Mas desta vez não pedi um duplo. Aos vinte anos somos todas ninfetas de cintura fina, aos trinta, se a gente não cuida a vaca vai pro brejo! Estacionamos o carro na rua Paraíba e logo reparei no entorno: estava um pouco diferente. A Antônio de Albuquerque naquele quarteirão fechado estava um charme só, cheio de mesinhas espalhadas pela rua. Achei gostoso aquele clima. Tinham bares novos, mas também alguns antigos sobreviventes. A Baiana do Acarajé continuava ali! Tive lembranças boas. Fui seguindo com meu amigo e minha câmera fotográfica nas mãos até o café. As mesinhas na Praça estavam iguaizinhas àquelas das quais eu me lembrava.

Charme!! - Foto Minha
Resolvemos sentar na parte de dentro. Apesar de a noite não estar fria, tinha uma brisa lá fora que iria me deixar um pouco desconfortável. Lá dentro o visual era diferente daquele que eu me lembrava do antigo café. Aquela decoração que remetia aos cafés europeus que eu lembrei no primeiro post que fiz sobre o local não estava mais lá. Cedeu espaço para uma proposta moderna, pequena, aconchegante, com riqueza na iluminação. Definitivamente o Café Três Corações era um novo lugar.
No mezanino mais mesinhas e uma mesa comprida estilo balcão de bar com bancos altos de madeira com uma vista legal para a Praça da Savassi.

Fui circulando pelo local e fui me apaixonando por tudo. O Café manteve o melhor do antigo e inovou. Sim, eu lembrava ainda do cappuccino shake duplo com chantilly, matei as saudades do pão de queijo (considerado por muitos, inclusive por mim, um dos melhores de Belo Horizonte), encontrei os sanduíches deliciosos no cardápio. Mas vi também novidades: o Café abre para o almoço e traz pratos executivos a preços bem competitivos durante a semana.

Resumindo a noite: o Café - Foto Minha
A noite acabou sendo maravilhosa e cheia de pequenas surpresas, regada a um delicioso e inconfundível sabor de café. Foi uma sensação gostosa reviver o Café Três Corações sob o prisma romântico. As lembranças antigas vieram com certo saudosismo do local, mas elas cederam espaço para as novas experiências que a vida ainda tem a me oferecer. A vida pode ser instável, as mudanças ocorrem, mas naquela noite de sábado fiquei feliz ao constatar que alguns sabores, mesmo que as configurações sejam outras, continuam exatamente os mesmos. Está tudo velho, mas ao mesmo tempo novo. E o café, bem, o café continua sendo aquilo que o político Francês, Charles-Maurice de Talleyrand-Périgord, um apaixonado pela bebida, dizia: “O café deve ser negro como o diabo, quente como o inferno e doce como o amor”, palavras que o Café Três Corações conhece bem e estampou em uma de suas paredes para que nenhuma alma que ali entre se esqueça delas.

Com muito amor!

Até a Próxima

Serviço:

Endereço: Rua Antônio de Albuquerque 489 Savassi - BH - MG
Telefone: 31 3245-1189 / 31 3284-6230
Funcionamento: Segunda a Sábado das 08h às 24h - Feriados das 16h às 24h

Um passeio romântico em Belo Horizonte – Conjunto Moderno da Pampulha


Lateral da Igreja da Pampulha - foto minha
Essa semana eu resolvi explorar BH. Eu já fui a muitos lugares românticos pelo mundo e existem alguns que definitivamente ficaram marcados na minha alma. Sabe aquela história de que “deixei meu coração” eu tal lugar? Pois é. Na minha lista tenho vários, mas desta vez resolvi tirar duas tardes para explorar aqui em Belo Horizonte um lugar que mora no meu coração desde antes de eu saber o que vinha a ser um lugar romântico.

Morei minha vida toda em um bairro que faz parte da região da Pampulha. Passei minha infância anos 1980 indo para a Lagoa aos domingos com meu pai e minha irmã para andar de barco (minha mãe aos domingos expunha artesanato na Feira Hippie! Então domingo sempre foi o dia de curtir o papai!). Minha família, assim como várias aqui em BH, tem uma relação bastante afetiva com a Pampulha. Da infância às caminhadas na orla já em idade adulta, essa é uma região muito presente na minha vida.

Otacílio Negrão de Lima vista de dentro da Casa do Baile
Foto minha
Sempre me encantei pelas obras de Oscar Niemeyer e dos modernistas de uma forma geral. O trabalho dessa turma me traz lembranças afetivas de uma época na qual não vivi. Vocês às vezes tem essa impressão de que estão com saudades de algo que nem mesmo conheceram? Pois é. Eu sou assim com os anos 1940, 1950 e 1960. Não sei de onde vem isso, mas também não perco o sono por essa razão. Sendo esse um sentimento bom, sigo adiante com minhas predileções retrô e aproveito sempre que posso me dedicar a curtir essa atmosfera, que seja ouvindo música, assistindo a filmes ou ainda passeando por lugares que são marcados por essa época.


“Cultura e arte como tempero para o romance”


Azulejos de Portinari no interior da Igrejinha - foto minha
Vamos lá, pessoal, O “Lugares Românticos” também é cultura. Não tem jeito de explicar as razões que me fazem colocar o Conjunto Arquitetônico da Pampulha no hall dos Lugares Românticos que Já Fui sem falar da genialidade que está por trás de tudo. Faz parte da aura do lugar.

A gente suspira pela Pampulha por causa da beleza, mas também por saber que aquelas obras foram planejadas por personalidades ilustres da arquitetura, do paisagismo e das artes brasileiras. A gente se emociona por saber que aquele beijo roubado naquela pessoa que a gente há tempos vinha amando em silêncio, aconteceu escondidinho ali, no Museu de Arte da Pampulha, ao lado da escultura “O Abraço”, obra de Alfredo Ceschiati, artista modernista brasileiro.

Curvas da Casa do Baile - Foto minha
Niemeyer dizia que aquilo que o atraia eram as curvas. Sua obra é marcada por uma sensualidade ímpar que inunda nossos corações quando observamos o cuidado com o qual as curvas de seus edifícios foram construídas. Essas curvas foram responsáveis pela recusa da igreja católica de consagrar a Igrejinha da Pampulha como local de rito por 17 anos. A obra havia sido considerada muito subversiva para os padrões da religiosidade. Curvas são expressão da sensualidade, e a sensualidade é tempero de romance. Niemeyer traduz isso em palavras: "Não é o angulo reto que me atrai./ Nem a linha reta, dura, inflexível,/criada pelo homem./ O que me atrai é a curva livre e/ sensual. A curva que encontro nas/ montanhas do meu país, no curso sinuoso/ dos seus rios, nas nuvens do céu, no corpo/ da mulher amada./ De curvas é feito todo o Universo./ O Universo curvo de Einstein". Merece um suspiro ou não?

Painel na entrada da Igrejinha da Pampulha - Foto minha
As noivas se emocionam e lotam as listas de espera para se casarem na igrejinha da Pampulha (sim! A Igrejinha voltou a fazer casamentos desde o ano passado e as listas estão disputadíssimas!) porque para elas é mágico saber que se casarão em uma obra prima inovadora da arquitetura brasileira (para quem não sabe, a igrejinha da Pampulha foi a primeira igreja com arquitetura modernista do Brasil), e que diante delas, durante a cerimônia, estará um painel lindíssimo, obra de Cândido Portinari, um dos principais nomes da pintura brasileira. Sem falar, é claro, que se a cerimônia acontecer no final da tarde, as fotos ficarão especiais com o pôr-do-sol que a gente presencia ali.

É inevitável não pensar que naqueles locais passaram personalidades proeminentes da cultura nacional e que o Complexo Arquitetônico é ovacionado pelo mundo todo a ponto de estar na corrida para ser reconhecido como Patrimônio Cultural da Humanidade. O coração bate mais forte por sabermos que o indivíduo que quis que tudo aquilo acontecesse foi Juscelino Kubistchek, que mais tarde seria conhecido como “Presidente Bossa Nova”, um indivíduo à frente de seu tempo que não se contentou em transformar a capital mineira quando foi prefeito, mas que tocou um projeto ambicioso de crescimento e modernização do Brasil em seu período como presidente. É história pulsante, arte pulsante e tudo o que é arte, é feito também para emocionar. E emoção é o tempero do qual nunca abro mão quando o assunto é encontrar um lugar romântico.

Painel na Casa JK - Foto minha


O Conjunto Moderno da Pampulha é formado pela Igreja de São Francisco de Assis, pelo Antigo Cassino, que hoje é o Museu de Arte da Pampulha, pela Casa do Baile, hoje o Centro de Referência de Urbanismo, Arquitetura e Design de BH; o antigo Iate Golf Club, atual Iate Tênis Clube e a residência de Juscelino Kubitschek. Aos poucos, nas próximas postagens, falarei sobre cada um deles. É que cada um desses lugares tem seus quinhões de romantismo, e merecem ser tratados separadamente para não deixar faltar para vocês nenhum detalhe daquilo que me encanta em cada um deles.

Animados com essa viagem?


Até a próxima!

Buenos Aires a dois sem badalação: O Jardim Japonês


Samurai, Hime (princesa da lua) e Shogun (comandante) - Foto Minha
Esses dias um amigo me disse que vai a Buenos Aires com a namorada e quer fazer coisas que lhe permitam curtir momentos a dois sem muita badalação. Um conselho que sempre dou a quem viaja é: não tenha preguiça de andar. Não quero que as agências de turismo me matem aqui, mas honestamente, não há nada pior nessa vida do que ficar dentro de um ônibus executivo enquanto um guia vai te mostrando lá fora os pontos turísticos da cidade. Para se curtir o lugar é preciso engrossar as pernas, andar com pouco peso, com um sapato confortável e uma câmera fotográfica nas mãos. Fazer um passeio assim ao lado de quem se ama, acreditem, não tem preço!

Então, expliquei a ele que andar em Buenos Aires não é assim tão complicado. Lá se anda de taxi, de ônibus, de metrô, de trem e a pé. Não tem mistério e os preços não são assim tão exorbitantes. Pra falar a verdade, se minha memória não está tão ruim assim, passagens de ônibus e metrô não passavam de R$2,00 e andar de táxi era a metade do preço do que estamos acostumados a pagar aqui no Brasil. Eu o aconselhei a comprar, aqui em BH mesmo, um bom guia que viesse com um mapa da cidade para que ele pudesse junto à namorada definir quais os lugares que eles querem visitar.

Gente, a viagem a dois começa no planejamento, essa fase é muito gostosa! É claro que chegando ao local de destino a gente acaba conversando com alguma pessoa da cidade e acaba indo conhecer lugares diferentes. Eu mesma caí por acaso no Museo de Armas de La Nación, em Buenos Aires, quando fui lá pela primeira vez. Algo totalmente não planejado com direito a bate papo com um sobrevivente da Guerra das Malvinas! Mas é sempre bom ter em mente aquilo que nos interessa e, principalmente, aquilo que não nos interessa fazer.

"Pausa para contemplação: um oásis romântico na selva de pedras"

Lugar mágico captado pelas lentes de papai, Francisco Linhares!
Pois bem! Dito isso, pensando aqui em todos os lugares românticos que visitei em Buenos Aires e com o intuito de dar minha contribuição ao roteiro do meu amigo, acredito que um casal apaixonado não pode deixar de visitar o Jardim Japonês. Lá é definitivamente um lugar para se ir a dois. Sabe aquele momento em que a gente resolve que vai respirar, diminuir o ritmo e admirar a beleza da natureza? Pois é. Assim que a gente entra lá parece que aquela calma tipicamente oriental nos invade. Portanto, nada melhor do que um lugar desses para se fazer um passeio com quem se ama: quem não gosta de admirar um lugar bonito e namorar?

O jardim fica no coração do bairro Palermo. Ele foi construído em 1967, em homenagem ao então príncipe-herdeiro do Japão e atual imperador Akihito e a princesa Michiko, que visitaram o país naquele ano. Apesar de ser um espaço público, a entrada do Jardim é paga. Consultando aqui o site do local em busca de valores mais atualizados, vi que o ingresso custa $70 pesos argentinos, que no câmbio de hoje seria como R$18,20. Esse dinheiro é destinado à manutenção do local que é administrado pela Fundação Cultural Argentino-Japonesa. Quando vocês olharem ao redor verão que o dinheiro é extremamente bem empregado, portanto, paguem sem dó!

Essa fundação realiza um trabalho bem bacana em Buenos Aires na difusão da cultura japonesa. Eles promovem festas temáticas, performances teatrais, recitais de música, exposições de arte e cursos variados como origami, artes marciais, massagens, ikebana, bonsai e muitos outros temas ligados à cultura japonesa. Fora isso lá dentro tem uma casa de chá e restaurante que funcionam dentro de um Pagode típico e lindo! Dentro do complexo funciona ainda uma biblioteca de assuntos japoneses. Ouso dizer que se vocês forem de fato interessados em cultura japonesa, lá dentro tem atividade para um dia todo.

Estrutura do Centro Cultural e Restaurantes - Clicado por Francisco Linhares
Hoje, o Jardim Japonês de Buenos Aires é o maior Jardim Japonês fora do Japão! O que me encanta neste lugar, e faz com que definitivamente eu o coloque no hall dos Lugares Românticos que eu Já Fui é a sensação de paz e equilíbrio que lá nos dá. Para cada lado que a gente olha, encontra harmonia. Acabei por curiosidade pesquisando um pouquinho sobre jardins japoneses na época que viajei pra lá para que eu tivesse condições de vivenciar de forma mais plena aquela experiência. Olhando de fora a gente acha o local bonito, decorado de forma metódica. A gente se encanta pelas pontes, pelos laguinhos cheios de carpas, pelas cerejeiras e azaleias. Mas quando a gente se aprofunda um pouco mais sobre o assunto, percebe que tudo o que está ali naquela estrutura tem uma razão de ser, e isso é o que é o mais lindo da história.

"Equilíbrio, estética e religiosidade: Templos dedicados à natureza"

Os Jardins Japoneses são sempre concebidos dentro de princípios como contemplação e harmonia. Isso porque eles têm forte ligação com a religiosidade do Japão. A natureza é um elemento extremamente importante tanto no Xintoísmo quanto no Budismo, que são crenças muito cultuadas por lá e que de forma muito interessante acabaram apresentando certo sincretismo entre elas. Tanto nas crenças Budistas quanto Xintoístas, a natureza é entendida como algo anterior ao homem. Portanto, interferências humanas no cenário natural são vistas com ressalvas. Para o Xintoísmo qualquer atividade que envolva uma utilização exagerada dos recursos naturais precisa ser recompensada com a construção de um templo dedicado à natureza. E é ai que entram os jardins.

No Japão, os jardins geralmente são concebidos em torno de uma estrutura arquitetônica que pode ser uma casa, um templo ou ainda um pavilhão de chá. No caso do Jardim Japonês de Buenos Aires ele está construído em torno do Pagode onde está o restaurante, a casa de chá e o centro cultural. Isso porque os japoneses tem essa ideia de que o jardim deve ser contemplado simplesmente abrindo, deslizando as portas da edificação. Isso é para que o interior flua livremente para o exterior. É uma questão de circulação de energias.

Um dos tantos laguinhos que encontramos por lá - Foto Minha
Dentre os elementos mais comuns e simbólicos que podemos encontrar num Jardim Japonês está, por exemplo, a água. Ela representa pureza, paz, serenidade. Aparece em forma de lagos, lagoas, pequenos riachos, quedas d'água ou ainda de forma simbólica, quando no lugar da água eles colocam um chão de areia grossa que é remexido com um ancinho. Para vocês terem uma ideia, até a direção do curso das águas tem significado: quando elas seguem do leste para o oeste, o dono do jardim quer que as energias negativas sejam neutralizadas. Quando elas seguem do norte para o sul o dono do jardim busca agregar boas energias e boa sorte.

As pedras também são muito comuns. Podem estar sozinhas ou em grupos. São um elemento bastante enraizado na crença Xintoísta porque eles acreditam que as divindades residem temporariamente em “xintais”, que são objetos de adoração, tais como árvores, rochas, montanhas e outros elementos da natureza. Outro objeto bem interessante que vamos encontrar em um Jardim Japonês são as pontes. Pontes de madeira ou de pedras para se atravessar as águas. Elas são entendidas como um caminho que representa evolução para um nível superior, amadurecimento, autoconhecimento. As árvores, assim como as pedras, também são parte muito importante no jardim e sua representação remete à ancestralidade.

Puente de Dios - Representa o caminho para o paraíso - Foto Minha
Viram só como a coisa não é bela de graça? Existe toda uma teoria por trás de cada um daqueles elementos que são pensados de forma estética, mas também funcional e acima de tudo, espiritual. Independentemente da crença que temos, é fato que esses locais nos trazem calma e nos fazem entrar em uma sintonia diferente com a natureza. Para mim, lugares assim são perfeitos para se curtir a pessoa amada dentro desta ideia de fugir de badalação: um jardim japonês é, sem dúvida, o oposto de agito, sendo, portanto, aquilo que meu amigo está buscando em sua viagem.

Abaixo estão algumas informações práticas sobre o Jardim Japonês de Buenos Aires e seu funcionamento. Qualquer dúvida, eu estou ai à disposição!

Até a próxima!

Serviço:

Endereço: Av. Casares 2966, 1425 CABA, Buenos Aires, Argentina
Funcionamento: das 10h às 18h
Horário dos Restaurantes: todos os dias das 10h às 18h e de 19h às 00h. Eles estão fechados às terças-feiras pela noite.
Entrada: $70 pesos (no câmbio de hoje, algo em torno de R$18,20)  – menores de 12 anos não pagam apresentando documentação de identidade quando acompanhados por maiores. Argentinos maiores de 65 anos e aposentados tem entrada gratuita com a apresentação da documentação comprobatória.
Como chegar: Linhas de ônibus:15, 37, 59, 60, 67, 93, 95, 102, 108, 118, 128, 130, 141, 160 e 188. Linha de metro D: Estação Scalabrini Ortiz (caminhada de 8 quarteirões).



O dia em que um supermercado foi um lugar romântico para mim


Já há algum tempo venho querendo fazer esse post. Esses dias eu estava falando a uma conhecida para quem escrevi um e-mail que às vezes me pergunto como é que uma mulher tão tosca como eu escreve sobre lugares românticos. Pois é. Não é que eu não seja uma mulher romântica. É que sou uma mulher objetiva. Não sou muito de firulas e geralmente quando estou com alguém busco viver o momento, sem me preocupar demais com as luzes de velas e pétalas de rosa espalhadas por ai.

"Do aplicativo de encontros ao supermercado"

Quem me conhece sabe da minha solteirice, mas pouco falo das minhas tentativas de sair dela. Desde meu divórcio que venho quebrando a cara por ai com o sexo oposto. Vocês acham que mulheres são complicadas? Experimentem se relacionar com homens acima dos 37 anos, recém-divorciados, traumatizados e sofridos! Nós meninas nos tornamos seres absolutamente bem resolvidos quando comparadas a esses pobrezinhos. Confesso até que às vezes penso em desistir dessas incursões para deixar espaço na minha vida a coisas que venham a me dar menos dores de cabeça! Mas depois me lembro do tanto que é divertido conhecer gente nova e à primeira chance de um novo encontro, logo me coloco a pensar sobre os melhores lugares para se ir a dois, mesmo que seja só por uma noite.

Pois bem, ai vocês me perguntam: Mas Nicole? Um supermercado? E então eu respondo: e daí? (muitos e muitos risos). O negócio foi o seguinte: conheci certa feita, em novembro do ano passado, no famigerado Tinder, um sujeito quarentão que se dizia recém-divorciado. Vejam bem: a se considerar o fato de que a foto dele sumiu do meu whatsapp há de se pensar que ou ele tenha voltado com a ex ou ele seria, talvez, mais um dos tantos casados por ai que fazem gracinha no Tinder para dar uma escapulida no casamento. Seja como for, não me importa. Nada de mais aconteceu aquele dia, afora, é claro, uma noite divertidíssima, regada a vinho e pizza... Ok, num supermercado!

Mas e ai? Como foi a coisa? Então: em meu perfil do aplicativo tinha escrito que sou uma amante de vinhos, o que é verdade. Sou uma garota que gosta de emoções fortes quando o assunto é bebida. Minhas cervejas favoritas são amargas, bebo doses puras de tequilas (as boas), vodcas (as boas) e tenho um gosto todo especial por whiskies, que adoro degustar (os bons) cowboy. Então vocês devem imaginar que meus vinhos preferidos são sempre aqueles bem cheios de personalidade. Tannats estão entre os favoritos, mas aprecio muito um bom Sangiovese, um bom Syrah, ou ainda um Nebbiolo e um Primitivo. De todas as uvas talvez a que eu menos goste seja aquela que no geral é a preferida das mulheres: Merlot. Sem falar que estranhamente aos olhos de muitos, sou uma mulher avessa a Champagne e espumantes. Não é que eu não beba. É só que se eu tiver que escolher entre uma boa Champagne e um bom tinto eu não penso duas vezes.

Bom, então lá no perfil dizia que eu gosto muito de vinhos. Aparentemente isso chamou a atenção do nosso quarentão, que me parecida bem apessoado e interessante. Ao menos culto ele tendia a ser porque trabalha com comércio exterior, passa boa parte do ano viajando mundo afora, não é possível que uma pessoa que viaje tanto não tenha um bom repertório de assuntos, não é verdade? Logo de cara, em uma das fotos dele de perfil reconheci a trilha de Santiago de Compostela. Pensei comigo: pessoas interessantes e perdidas empreendem esse tipo de jornada. Geralmente quando se quer um momento para repensar a vida se toma a insana decisão de percorrer os famigerados 800km do caminho francês, que é o mais famoso. Confesso que naquele momento me coloquei a pensar se Santiago de Compostela seria mérito ou demérito para o rapaz. Eu confesso ainda que até pensei em empreender essa jornada logo que estava divorciando (aquela história do momento para repensar a vida). Depois me lembrei de que 800km seria mais ou menos como se eu decidisse seguir à pé daqui de Belo Horizonte até Curitiba, só que no caso de Santiago, eu teria que vivenciar momentos de caminhadas acima do nível do mar. Passaria frio, ficaria cheia de bolhas nos pés, chegaria num estado de exaustão extrema e, obviamente, colocaria meu sedentário corpo em um nível de stress ao qual ele não estaria habituado. Pensei comigo: não vou caçar indaca, mesmo porque fazer esses 800km com uma mochila pesando 30kg nas costas não seria algo que me ajudaria a repensar minha vida. Pelo contrario: faria com que eu ficasse com muita raiva da minha existência no momento em que eu me questionasse os motivos que me levaram a fazer aquilo (muitos risos).

"Finalmente encontro marcado... no supermercado!"

Mas enfim, apesar de não ter chegado à conclusão sobre mérito ou demérito no caminho de Santiago, o rapaz ainda parecia promissor. Ai sempre vem aquela coisa, não é? Vamos nos encontrar? Onde vamos? Vamos tomar algo? Vamos ao cinema? Vamos a um museu (sim, ok, pode não ser comum para muitos, mas eu convido os caras para irem a museus comigo. É uma forma de testar o nível de interesse deles por um papo mais inteligente. Assim a gente finge que sexo não é o interesse central, e de mais a mais, sempre me divirto vendo até que ponto os caras chegam para, como diria meu cunhado, encontrar um lugar quentinho e úmido onde estacionar seu equipamento – muitos e muitos risos). Pois bem: o camarada me surpreendeu! Virou para mim e disse assim: “Olha, eu estou acostumado a tomar cervejas, mas estou querendo muito conhecer um pouco mais sobre vinhos. Você poderia me ajudar a comprar alguns para eu começar a minha adega?” Gente, vocês não imaginam a cara que fiz do outro lado lendo aquilo. Nem sei dizer o que achei daquilo naquele momento! Em meio a muitas risadas comigo mesma, eis que digitei de volta: “ok, saio do trabalho às 18h. Hoje é segunda-feira, vamos ao Verdemar que te ajudo a comprar alguns bons vinhos para a sua adega e a gente aproveita para comer uma pizza e a tomar um vinho por lá, o que acha?” Quando o “ok” veio do outro lado olhei incrédula para mim e me disse: “ok, Nicole, você está prestes a ter um primeiro encontro em um supermercado, isso definitivamente precisa virar um post no Lugares Românticos que eu Já Fui”.

Antes de continuar o relato cabe dizer que o Verdemar não é um supermercado qualquer. Ele é um supermercado gourmet onde a gente sempre encontra coisas deliciosas, pães extremamente bem feitos, ingredientes importados e especiais para comidinhas especiais que a gente faz em casa. Então é assim: o Verdemar pode até não ser em um primeiro momento o lugar onde se pensaria em ter um primeiro encontro romântico, mas tenho a certeza de que muitos dos jantares românticos que acontecem em Belo Horizonte, sejam eles em casa ou em restaurantes, de alguma forma passam pelo Verdemar porque lá é point de chefs de cozinha profissionais e amadores.

"Bancando a Sommelir que não sou"

Dito isso, e voltando ao que interessa, saí do trabalho rumo ao Verdemar da Nossa Senhora do Carmo. No caminho para lá pensei comigo: Que papinho mole o desse cara! E eu aqui, descendo a Nossa Senhora do Carmo para dar uma de sommelier (coisa que de longe não sou apesar de beber muito vinho) pra esse cara que está querendo meu corpo nu! Tomara que ele seja ao menos divertido para valer a viagem! Com um baita sorriso no rosto, pensando comigo que de fato eu não tinha nada mais interessante para fazer naquela segunda a noite, estacionei o carro no Verdemar e fui para a pizzaria. Incompetência mor de nós dois: Não marcamos o lugar exato do encontro. Mandei um whatsapp e nada. Andei de um lado, do outro, até que a resposta chegou. Ele já estava lá na seção de vinhos me esperando. Quando cheguei, ele estava conversando com o funcionário do supermercado que fica ali naquela seção para ajudar aqueles que não sabem ao certo o que comprar.

Logo o reconheci e me apresentei. Não sei se eu era exatamente o que ele imaginava. Eu sempre causo estranhamento ao vivo porque os caras acham que sou mais alta do que de fato sou. Talvez porque eu seja mandona demais. Só pode ser isso! Mas pelo sorriso no rosto dele eu não devia ser algo assim tão desagradável. Enfim: perguntei a ele quanto ele queria gastar e quantas garrafas de vinho ele gostaria de comprar. Fomos passeando juntos pelas prateleiras, fui contando a ele particularidades que eu conhecia a respeito das características típicas de alguns dos vinhos que eu conhecia bem. Falamos de portugueses, italianos, espanhóis, franceses, argentinos, chilenos, uruguaios, norte-americanos, sul africanos, australianos, brasileiros e por fim gregos. Aliás, naquele dia tinha um grego na promoção chamado Rapsani da vinícola Tsantali, super gostosinho, que com certeza incluí na lista dele, e foi inclusive o vinho que tomamos mais tarde acompanhando uma pizza deliciosa ali mesmo no supermercado.

"Pizza, vinho e risadas: receita de sucesso para uma segundona"

Estávamos nos divertindo! Confesso honestamente que fiquei absolutamente surpresa com o delicioso ar descompromissado daquele encontro. Falamos sobre os vinhos, cervejas, charutos, falamos sobre a vida, sobre viagens, sobre a minha coleção de imãs de geladeira. Falamos sobre trabalho, sobre política... Nossa! Era assunto que não acabava mais! Ele era tímido. Eu falante pelos cotovelos. Consegui arrancar várias risadas espontâneas dele naquela noite, o Rapsani que tomamos acompanhando aquela pizza de pancetta estava absolutamente perfeito para amansar o paladar dele que não estava ainda habituado a vinhos e era leve o suficiente para o descompromisso daquela noite de segunda-feira. Não dava para exagerar, terça-feira de manhã a vida seguiria novamente, com ou sem ressaca.

Já eram quase 22h e o Verdemar fecharia. O nosso primeiro encontro, que sabíamos que seria também o último, estava chegando ao fim. Apesar de não termos querido ficar um com o outro naquela noite, sabíamos que cada um tinha dado ao outro exatamente aquilo que se precisava naquele momento: um pouco de carinho, conversa, risadas e atenção. Hoje, pensando bem, desconfio mesmo que ele seja casado. Pagou pelos vinhos em dinheiro vivo, apesar de ter se encantado por mim, não teve coragem de experimentar qualquer investida. Santiago de Compostela realmente veio para ele num momento em que ele queria repensar a vida, mas pelo seu relato, percebi que ele se sentiu exatamente como eu teria me sentido se tivesse entrado de cabeça naquela empreitada: ele ficou exausto, cheio de bolhas nos pés e de certa forma deu a entender que havia em vários momentos se arrependido de ter decidido andar tanto.

"Primeiros últimos encontros: refrescos para o coração!"

Ele estava cansado da rotina, assim como eu. Ele queria uma luz diferente na semana dele, assim como eu. Provavelmente estava brigado de verdade com a mulher, mas somente uma pessoa muito ingênua acredita que relacionamentos de longo prazo venham imunes a crises e desentendimentos. Às vezes de fato não é de sexo que as pessoas precisam, mas sim de um momento diferente, uma risada diferente, ouvir a rotina do outro que é diferente. São pequenos momentos de epifania. É a lembrança do comichão que move a vida. Depois, ah, depois a gente volta cheio de forças para a rotina de sempre, e pasmem: felizes por termos aquilo. No dia seguinte ele estava indo para a Europa a trabalho. Ele havia me prometido imãs de geladeira para a minha coleção. Mas depois daquele encontro, não conseguimos mais agendar nada. A rotina dele é maluca, a minha também. Se é verdade que ele de fato comprou os imãs para mim, faço votos de que eles hoje sejam para ele uma lembrança das risadas deliciosas que demos naquela noite de segunda-feira comendo pizza de pancetta e tomando vinho grego em um supermercado, no Verdemar. Para mim aquela foi, apesar de não ter tido beijo ou sexo, uma noite romântica. Ela tinha todas as componentes para dar certo: ambiente gostoso, companhia gostosa, comida gostosa, vinho de ótima qualidade. Não há o que se dizer! E ele ainda conseguiu arrancar de mim uma coisa que poucos caras conseguem: ele pegou a conta na minha frente e pagou-a integralmente sem que eu nem mesmo visse quanto ficou. Quem conhece o meu lado feminista acirrado sabe o tanto esse tipo de coisa tende a me incomodar, mas não sei se foi o vinho, ou se o ar estava de fato muito leve. Permiti que ele fizesse aquela delicadeza sob a promessa de que em nosso próximo encontro a conta seria minha.

Despedimo-nos no estacionamento, estávamos leves e felizes (não é assim que as pessoas ficam depois de uma noite de amor? Que coisa estranha! Gargalhadas também elevam níveis de endorfina!). Naquela noite dormi feito um anjo, não obstante todos os problemas que eu andava tendo com insônia. Para quem não acredita que qualquer lugar é lugar, vejam só: neste dia, surpreendentemente o Verdemar foi o lugar mais romântico onde eu poderia estar. Por mais noites agradáveis como essa em lugares inusitados como este!


Até a próxima!

Serviço:

Supermercado Verdemar Unidade Sion
Endereço: Av. Sra. do Carmo, 1900 - Sion - BH - MG
Tel.: (31) 2105-0101
Funcionamento: Segunda a Sábado das 7h às 22h domingos das 7h às 21h

E já que está calor, vamos tomar sorvete!


Este mês entramos oficialmente no verão e Belo Horizonte tem sido um misto de calor e chuva que só quem já vivenciou os inúmeros fins de ano de intempéries climáticas na capital mineira sabe do que estou falando. Não adianta sair de casa agasalhado, porque você vai morrer de calor. Mas não se esqueça do guarda-chuva, porque do contrário você vai se molhar. E tome muito cuidado, porque se o calor tiver sido demais, vai cair granizo com certeza!

Pois é! Essa é a dinâmica normal do clima de BH nos últimos meses do ano, e como em BH não tem mar, tem é montanha, a gente não tem como se refrescar na praia no fim do dia. Talvez seja por isso que por aqui encontramos tantas opções deliciosas de sorveterias que acabam sendo o nosso alento nesses dias de calor acima da média.

Eu poderia falar de todas as minhas favoritas aqui neste post, mas querem saber de uma coisa? Eu gosto de degustar sorvete devagarinho, então, da mesma forma, vou fazer aqui com as minhas sorveterias preferidas. Um post de cada vez, uma sorveteria de cada vez, um sabor de cada vez...

Vou começar essa peregrinação por uma sorveteria que não é só sorveteria. Eles são na verdade: Gelateria, Caffeteria, Dolcetteria, Spuntineria, Panineria além de terem um cardápio todo especial para a criançada! Já sabem de onde estou falando? Sim! Ela fica lá no bairro de Lourdes, na rua São Paulo. Pois é! Acertou quem disse a Alessa!

"É sorvete, mas isso não é tudo!"

Mas voltando àquele monte de coisas que eu disse que ela é, ai você me pergunta: o que é isso tudo? Vamos lá: A Alessa alia uma expertise absurda em sorvete, pois eles tem um mestre sorveteiro italiano da gema que comanda a fabricação das mais de 300 receitas que envolvem a iguaria; à uma cafeteria deliciosa e à uma doceria extremamente requintada. Além disso, eles são uma Spuntineria, que vem da palavra italiana Spuntino, que seria um lanchinho. Nesse setor do cardápio eles tem alguns itens salgados deliciosos, como quiches, crepes, pães de queijo, carpaccios e coisinhas afins. A panineria fica por conta dos Panini, que novamente do italiano, significa sanduiches. Eles lá na Alessa são acompanhados por sucos, refrigerantes, cervejas ou até mesmo uma taça de champanhe bem geladinha (que nesse calor não é má ideia!)

E por que escolhi a Alessa para começar essa peregrinação e por que lá é um lugar romântico? Bom, a primeira vez que entrei naquele local fiquei maravilhada. Primeiro porque o ar condicionado estava delicioso, em contraposição ao calor que eu estava sentindo lá fora. Em segundo lugar, o pé direito alto de parte da loja chama a atenção logo de cara. Aquela noção de amplitude é realmente genial. A decoração tem uma pegada contemporânea extremamente sofisticada e ao mesmo tempo despojada. Não tem nada em excesso, as cores são neutras e o projeto de iluminação de lá é o que dá o charme. A gente se sente muito à vontade com aquelas mesinhas baixas com poltronas e pufes branquinhos em volta. O clima de lá é um lounge bem charmoso.

"Projeto de Iluminação nota 10"

Em outra ocasião voltei lá mais de noite, e foi ai que constatei do que aquele projeto de iluminação realmente é capaz. O lugar virou outro e confesso que fiquei realmente apaixonada por aquele clima. O mais interessante: eu não estava ali para comer um prato ou beber um vinho tinto com a minha cara-metade. Eu estava ali com amigos para tomar sorvete, mas o tempo inteiro eu sentia que se eu tivesse que escolher um lugar diferente para um encontro, que eu não titubearia em ir até lá.

A gente fica com essa ideia de infantilização do sorvete, não é verdade? Mas acontece que lá na Alessa a gente entende a pontadinha de sensualidade que a iguaria pode ter. Quando pegamos o cardápio de pratos baseados em sorvetes, vemos que ele está dividido entre Tradicionais, Clássicos, Ousados, Eternos e Tortas Geladas. Nos tradicionais encontramos aquelas receitinhas clássicas, de Sunday, Milk-shakes, Banana Splits. Já nos clássicos, eles buscam em ingredientes quase que unanimemente amados, como a Nutella e o Ovomaltine a inspiração para sundaes, crepes e waffles. No segmento Eternos, a Alessa traz delícias como crepes, petits gateaus dentre outras delícias. As tortas geladas feitas à base de sorvete são um convite para os glutões de plantão.



"Seção Ousados no Menu: Definitivamente minha favorita!"

Agora é quando caímos nos Ousados que fiquei com a curiosidade mais instigada. O sorvete estava o tempo inteiro ali, mas a mistura com bebidas como o Cointreau, ou ainda combinações com sorvete de canela, como foi o Banana Fiamma, que eu experimentei no dia: banana flamada ao caramelo de limão e sorvete de canela - são detalhes que dão um tom completamente distinto à experiência do sorvete.

É preciso que seja dito: são pratos que aguçam os sentidos e disparam a imaginação. Saem do óbvio, e eu particularmente gosto muito disso. Uma vez, em uma reportagem sobre gastronomia iraniana, a minha entrevistada falou comigo sobre a canela e o tanto que ela é um ingrediente potente, quente. Pois é, para mim encontra-la em um sorvete foi absolutamente inusitado e delicioso, porque canela e banana sempre casam muito bem.

Mas ai vocês me perguntam: e os sorvetes? Dá para ir lá só para experimentar uma casquinha? Claro que sim. O risco é de você não querer somente uma casquinha. Existe lá uma variedade com mais de 40 sabores de sorvetes. Eles são fabricados seguindo os mais rigorosos critérios artesanais do bom e velho Gelato Italiano. São feitos com frutas à base de água e à base de cremes, chocolates, cremes e doces de leite. Confesso que gostei muito do sorbet de mixiriquinha, pois gosto de um sabor mais cítrico. Nos sorvetes da Alessa a gente sente realmente o sabor da fruta. Existem alguns sabores que são clássicos e outros que são sazonais. Vale a pena dar uma atualizada no cardápio quando se chega lá para ficar por dentro de qualquer novidade.

Ai vocês me fazem a pergunta de um milhão de dólares: Nicole, a Alessa é muito cara? O que eu posso responder a vocês? A Alessa vale a experiência que se vive lá. Um casal, dependendo do que consumir, poderá deixar ali algo em torno de R$100,00. Mas isso tendo consumido bebida, pratos a base de sorvete. A bola de sorvete no copinho gira em torno de R$11,00, duas bolas R$19,00 e três bolas R$26,00. Não, pessoal, nem se atrevam a comparar essas casquinhas aqui com aquelas que a gente compra no shopping e só tem dois sabores para escolher. Isso aqui que eu descrevi para vocês até agora nada mais é do que o sorvete elevado ao estado da arte. Então, é bom que vocês cheguem lá preparados para viver a experiência sem medo de serem felizes!

Apareçam lá e depois me contem como foi!

Até a próxima!

Serviço:

Endereço: Rua São Paulo, 2112, Lourdes,
Telefone: 31- 3292-2588.
Funcionamento: Domingo a Quinta das 13h à 0h Sexta e Sábado das 13h às 2h.